Fístulas de Líquido Cefalorraquidiano

As fístulas de LCR pelas fossas nasais podem ser pós-traumáticas, surgir após uma cirurgia da base do crânio ou ser simplesmente espontâneas — esta última, a causa mais frequente. Decorrem de um defeito na base do crânio, tanto no plano ósseo quanto no dural, que permite a saída de LCR para o exterior. Por ter uma comunicação com o exterior, o cérebro fica sob risco de meningite bacteriana ascendente por germes comuns das fossas nasais.

Clinicamente, apresentam-se como saída de um líquido transparente como água, nada viscoso, unilateral, sem odor, de gosto salgado, cujo fluxo aumenta quando o paciente se levanta e inclina a cabeça para frente. Podem ser contínuas ou intermitentes, manifestar-se com meningite de repetição ou com convulsões, quando se associam a tecido cerebral herniado pelo defeito, constituindo uma meningoencefalocele.

Sintomas

  • Saída pelo nariz de um líquido transparente e aquoso (rinorreia), habitualmente por uma única narina
  • Líquido sem odor, não viscoso e de gosto salgado
  • Aumento do fluxo ao levantar-se ou inclinar a cabeça para frente
  • Episódios contínuos ou intermitentes
  • Meningite
  • Convulsões quando se associa a tecido cerebral herniado (meningoencefalocele)

Diagnóstico

  • Tomografia computadorizada (TC) multiaxial da base do crânio — para localizar o defeito ósseo
  • Ressonância magnética (RM) — para avaliar o defeito dural e detectar tecido cerebral herniado
  • Análise do líquido (beta-2 transferrina) para confirmar que se trata de líquido cefalorraquidiano, quando necessário
  • Avaliação neurológica completa

Tratamento

Com o desenvolvimento da cirurgia endoscópica endonasal, atualmente esta é a via de acesso de escolha para o tratamento desta patologia, sem necessidade de craniotomias. A cirurgia consiste em localizar o defeito dural e interpor múltiplas camadas de tecido para selar o trajeto fistuloso, fornecendo vascularização por meio de um retalho nasosseptal pediculado.

Nossa abordagem

  • Experiência específica em cirurgia endoscópica endonasal da base do crânio
  • Abordagem minimamente invasiva, sem craniotomias nem incisões externas
  • Reconstrução em múltiplas camadas com retalho nasosseptal pediculado para um fechamento duradouro
  • Acompanhamento personalizado a longo prazo com controles por imagem
Caso clínico

Primeiro Caso

Paciente de 45 anos em tratamento crônico por rinorreia, recebe diagnóstico de fístula de LCR pelas fossas nasais. Os exames de imagem não localizam o defeito na base do crânio; por isso, realiza-se diretamente a cirurgia endoscópica endonasal para identificar o sítio fistuloso e fazer seu fechamento. Localiza-se um pequeno defeito ósseo e dural com saída espontânea de líquido cefalorraquidiano no teto do etmoide direito — sítio mais frequentemente evidenciado em razão da fragilidade natural da região. Interpõe-se substituto dural intracraniano e, em seguida, cobre-se o defeito com um retalho nasosseptal, dando vascularização à reconstrução da base do crânio.

Segundo Caso

Paciente de 57 anos com perda intermitente de LCR unilateral à direita, associada a cefaleia. A RM evidencia herniação de parte do lobo temporal direito em direção ao seio esfenoidal. A tomografia axial da base do crânio evidencia defeito ósseo na face lateral direita do esfenoide, por onde hernia a meningoencefalocele responsável pela fístula de LCR.

Terceiro Caso

Paciente de 22 anos vem à consulta por crises convulsivas generalizadas, sem antecedentes de perda de líquido pelas fossas nasais. Os exames de imagem evidenciam um defeito volumoso na fossa craniana média esquerda, com encefalocele responsável pelas crises. Realiza-se cirurgia endoscópica endonasal para ressecar a meningoencefalocele e reconstruir a base do crânio. Visualiza-se tecido cerebral herniado por defeito congênito na base do crânio lateral ao nervo maxilar superior, denominado canal de Sternberg. Reconstrói-se com substituto dural e retalho nasosseptal contralateral.

Perguntas frequentes

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