Fístulas de Líquido Cefalorraquidiano

As fístulas de LCR pelas fossas nasais podem ser pós-traumáticas, após uma cirurgia da base do crânio ou simplesmente espontâneas, sendo esta a causa mais frequente. São devidas a um defeito na base do crânio, tanto no plano ósseo quanto no dural, que permite a saída de LCR para o exterior. O cérebro, ao ter uma comunicação com o exterior, apresenta risco de meningite bacteriana ascendente por germes comuns das fossas nasais.

Clinicamente se apresentam como perda de um líquido transparente como a água, nada viscoso, unilateral, sem odor, com gosto salgado, e o fluxo aumenta quando o paciente se levanta e inclina a cabeça para frente. Podem ser contínuas ou intermitentes, apresentar-se com meningite de repetição ou com convulsões quando se associam a tecido cerebral herniado pelo defeito, constituindo um meningoencefalocele.

Os estudos para diagnosticar o local do defeito são a Tomografia Multiaxial e a Ressonância Magnética. Os locais mais frequentemente encontrados em ordem decrescente são: etmoide, seio esfenoidal, seio frontal e, por último, no clivus.

Com o desenvolvimento da cirurgia endoscópica endonasal, atualmente esta é a via de acesso de escolha para o tratamento desta patologia, sem necessidade de realizar craniotomias. A cirurgia consiste em localizar o defeito dural e interpor múltiplas camadas de tecido para selar o trajeto fistuloso e fornecer vascularização com um retalho nasosseptal pediculado.

Primeiro Caso

Paciente de 45 anos em tratamento crônico por rinorreia, é diagnosticada fístula de LCR pelas fossas nasais. Nos estudos de imagem não se encontra o defeito na base do crânio; portanto, realiza-se diretamente a cirurgia endoscópica endonasal para localizar o sítio fistuloso e realizar seu fechamento. Localiza-se um pequeno defeito ósseo e dural com saída espontânea de líquido cefalorraquidiano no teto do etmoide direito, sítio mais frequentemente evidenciado devido à fragilidade natural da região. Interpõe-se substituto dural intracraniano e, em seguida, cobre-se o defeito com um flap nasosseptal, fornecendo vascularização à reconstrução da base do crânio.

Segundo Caso

Paciente de 57 anos com perda intermitente de LCR unilateral direita associada a cefaleia. RM evidencia herniação de parte do lobo temporal direito em direção ao seio esfenoidal. Tomografia axial da base do crânio evidencia defeito ósseo na face lateral direita do esfenoide, por onde se hernia o meningoencefalocele responsável pela fístula de LCR.

Terceiro Caso

Paciente de 22 anos consulta por crises convulsivas generalizadas, sem antecedentes de perda de líquido pelas fossas nasais. Os estudos de imagem evidenciam um defeito volumoso na fossa craniana média esquerda com encefalocele responsável pelas crises convulsivas. Realiza-se cirurgia endoscópica endonasal para ressecar o meningoencefalocele e reconstruir a base do crânio. Visualiza-se tecido cerebral herniado por defeito congênito na base do crânio lateral ao nervo maxilar superior, denominado Canal de Sternberg. Reconstrói-se com substituto dural e flap nasosseptal contralateral.

Casos relacionados

Cordomas

Cordomas

Tumores raros e localmente agressivos derivados de restos embrionários da notocorda, habitualmente na base do crânio e no sacro.

Ver caso clínico
Estesioneuroblastoma ou Neuroblastoma olfatório

Estesioneuroblastoma ou Neuroblastoma olfatório

O estesioneuroblastoma é um tumor maligno raro da base do crânio anterior, originado nas células olfatórias.

Ver caso clínico
Adenomas Hipofisários

Adenomas Hipofisários

Tumores benignos e de crescimento lento originados nas células da adeno-hipófise, classificados em funcionantes e não funcionantes.

Ver caso clínico